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| Fotografia da minha autoria |
«belo abismo»
o que se cura é o avesso
da pele, o que vem de dentro
o que se expele pelas ruínas de uma morada
sem lar
a casa cede e nós caímos
regeneramos
pedaço a pedaço
partes de alma enclausurada
num corpo que não nos pertence mais
o que se cura não se traduz
é um abismo vulnerável na beleza
talvez seja só um verso
perdido, a romper fachadas antigas
enquanto lá fora viajam andorinhas
quando já se foi a primavera
