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Out21

Maria do Rosário Pedreira

Quando pensamos em Eça de Queiroz, pensamos imediatamente na sua veia de romancista, no seu humor, na sua crítica social, no seu apurado sentido de observação. Não nos vem imediatamente à cabeça o Eça que viveu noutros países, foi diplomata e olhou para Portugal lá de fora, embora, claro, conheçamos essas circunstâncias. Vale, porém, a pena olhar para um Eça diferente: o que viaja e escreve sobre o que vê. Entre os seus escritos, há muitas impressões de viagem (já aqui partilhei algumas sobre os horrores que achou de Havana), mas nos próprios romances, como A Cidade e as Serras ou A Relíquia, há dezenas de passagens que se referem a locais de viagem, como tão bem recordamos o 202 dos Champs Elysées em Paris. O livro muito recentemente publicado na colecção Terra Incógnita, da Quetzal, intitulado Outras Paragens, é uma antologia de textos publicados na imprensa pelo escritor maior das nossas letras e também de excertos retirados da sua obra romanesca. Deixo-vos, a finalizar o meu post, para fazer água na boca, uma citação que alegra a newsletter que anuncia este livro:

«Antigamente contava-se a viagem quando se tinha viajado.
Hoje empreende-se a viagem unicamente para se escrever o livro.»
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra

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