27
Out21
Maria do Rosário Pedreira
Alguns visitantes e aficionados deste blogue lembram-se seguramente de eu aqui ter falado de um livro da jornalista Isabel Lucas intitulado Viagem ao Sonho Americano, que reunia as suas reportagens sobre literatura norte-americana depois de visitar a um enorme número de Estados de norte a sul e de leste a oeste. A sua leitura é uma forma excelente de conhecer a América pelos livros; e de tal modo agradou aos leitores que a jornalista recebeu um convite para repetir a experiência com a literatura brasileira. Temos aí, portanto, ao nosso dispor Viagem ao País do Futuro (este «país do futuro» foi o nome que Stefan Zweig deu ao Brasil, onde se exilou e, paradoxalmente, acabaria por se suicidar) para ler e chorar por mais. Mas este país do futuro é mesmo um país do futuro? Não será antes um país onde muitas regiões ainda têm imensa gente a viver no passado (remeto-vos, por exemplo, para Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, livro incluído nesta viagem de Isabel Lucas)? Diverso, desigual, cheio de uma beleza que não acaba mas também de tantas contradições, o Brasil mostra-se aqui em todo o seu esplendor literário; Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, João Guimarães Rosa, Jorge Amado, o grande Machado de Assis, Mário de Andrade, Milton Hatoum, Raduan Nassar, são alguns dos autores que fazem o mosaico brasileiro que Isabel Lucas agora nos oferece. O lançamento é mais logo, com apresentação de Abel Barros Baptista na Livraria Palavra de Viajante, em Lisboa. Não faltem.