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Jul20
Maria do Rosário Pedreira
Embora haja coisas que não se podem ensinar (o talento, por exemplo), nem todos os livros sobre escrever são manuais de frases feitas e exercícios pueris. Já aqui o disse a propósito de Manual de Sobreviência de Um Escritor, de João Tordo, e digo-o agora acerca do genial Escrever, de Stephen King, que tive o gosto de publicar há muitos anos na Temas e Debates com a minha colega do Círculo de Leitores, Guilhermina Gomes, e que agora tem nova edição pela Bertrand, acrescentada com dois prefácios, o último dos quais é um agradecimento de King ao seu editor, com uma frase também utilizada por Tordo: «Escrever é humano, editar é divino.» (Às vezes.) Stephen King já tinha várias coisas alinhavadas sobre o ofício do escritor quando ia morrendo num acidente de que levou meses a recuperar; aproveitou então para pôr esses apontamentos em ordem e articular um texto notável que parte das suas experiências e memórias e compõe um livro inspirador, com conselhos e recomendações a todos aqueles que queiram e sintam que podem ser escritores. O livro, que saiu inicialmente em capítulos independentes numa revista, além de brutalmente honesto e muito interessante para os leitores até como testemunho, foi também terapêutico para o autor, ajudando-o na sua convalescença. Só bons motivos para se atrever à sua leitura.