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(continuação)

«Chiado, o frade ramboieiro.»

«Auto de El-rei Seleuco. O enteado apaixona-se pela madrasta tal como no Paço dos reis de Avis. Coincidência ou sátira?»

«O Auto de El-rei Seleuco, ocupa, ao modo de ver de Teófilo, o segundo lugar das obras dramáticas de Camões por ordem de produção. Devia ter sido composto entre 1544 e 1546. Na opinião de Storck, encomendara-lho um graúdo, Estácio da Fonseca, enteado de Duarte Rodrigues, reposteiro de D. João III.

...

«A representação em público duma comédia, cujo entrecho continha matéria de escândalo, isto é, a história dos amores incestuosos de D. João III com a madrasta, torna verosímil, mas improvável, filiar-se nela a causa por que Luís de Camões teve primeiramente de homiziar-se e foi degredado depois para África. Embora não fosse da inventiva de Camões, nem por isso era menos responsável, para o caso o grau de culpabilidade do adaptador nivelando-se com o do autor original, dado que este a escrevesse expressamente.»

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«Homizio de Camões. Causas prováveis.»

«Como o tema versado na peça, ainda que clássico, assentava, com pequenas discordâncias, na escandaleira da Corte, nada mais simples, porém, que uns explorassem a abusão ao sabor dos seus ódios, outros nada mais que pelo mexerico. Sendo certo que não se deve falar de corda em casa de enforcado, Camões teria cometido uma grossa inconveniência.

... «Custa, no entanto, a admitir que Luís de Camões, ao escrever o auto, tivesse em mente a aventura amorosa de que foram comparsas D. Manuel, sua mulher e o filho. Era perigoso brincar com o fogo, quando se via aceso a cada passo nas praças públicas e queimar gente por motivos mais fúteis.
... ... 
... «Nada haveria também no El-rei Seleuco de voluntariamente alusivo ao Paço, embora a carapuça de Seleuco assentasse a matar em D. Manuel, o Venturoso.
Teófilo, como atrás se disse, atribuiu a semelhante irreverência o desterro de Camões.»
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«De sorte terá sido esta a causa do exílio, facto que somos tentados a admitir, embora com incerteza. Referimo-nos ao ostracismo voluntário, ou melhor, refúgio no Ribatejo, "erros meus, má fortuna..." que derivou para o vero degredo em África com a duração taxativa de dois anos. Não sendo aquela a causa, teremos que filiá-la nos seus actos de estúrdia desmedida ou arruaça nocturna com birbantes e desordeiros.

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