

(continuação)

Negócios de amor fora de causa. Idem, o Auto de El-rei Seleuco. Corografia muito problemática. Realidades ou símbolos poéticos?
«O Auto de El-rei Seleuco, escrito segundo Storck no período que decorre de 1542 para 1547, poderia explicar a sua saída capital para o Ribatejo, depois o seu desterro para a África. Poderia, se nos contentássemos com aparências. Em verdade, sendo aquela a causa eficiente, a mão real teria procedido doutro modo. Quando se erguia, por um motivo próprio, fá-lo-ia de maneira implacável e fulminante.»

«Aderindo à hipótese de que Luís de Camões se haja refugiado no Ribatejo, homiziando-se a qualquer acto de Justiça ou devassa criminal, em que localidade foi? Santarém, como pretende Faria e Sousa? Constância, como se poderia inferir das ilações de Barreto Feio... »

«... Mais crível é que fosse Alenquer, ou aldeia do concelho de Alenquer, talvez Merceana. A Alenquer, de facto, alude várias vezes, como no soneto ao soldado sepulto nos mares de Abássia e compreendidamente na Carta em que se compara aos touros da Merceana quanto à veneração que lhe tributam.
Que fosse Vaqueiros, aldeia entre Torres Novas e Santarém, porque aí residia o fidalgo que sabemos veio a interferir de modo positivo na história do poeta, D. Gonçalo Coutinho? Não há referência alguma que o leve a supor, nem os dados topográficos que se podem notar nas poesias supostamente escritas do exílio, na elegia, mormente, em que pinta um cerro pedregoso donde se vêem correr as águas do Tejo, condizem com a geografia de Vaqueiros.»
... ... ...
«Que foi terra ribatejana ressalta da mesma elegia: O sulmonense Ovídio desterrado:
(... .... ....)

«A julgar pela pena de dois anos que purgou em África, e se sucederam à sua estadia no Ribatejo, não se adapta tal penalidade a outro facto -- nem amores com mulher casada, muito menos romance com rapariga solteira, nem maledicência contra a pessoa de el-rei -- que não seja desordem em que o poeta arrancasse da espada sem ter chegado a vias de facto.»


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