Poemas de Giulia Nogueira
poesia, arte, psicologia, reflexão existencial
Giulia Nogueira* ô lá em casa a poesia pode ser disciplina métrica, ou qualquer outra carnificina justa para quem se baseia na meritocracia. mas, comigo, a poesia não tem essa de ensinar/aprender: quando ela me quer, me joga na cama, não quer se lembrar do meu nome, no máximo me faz sobrenome de sua orgia deliciosa escandalosa de até dar ciúme à prosa. palpitação de luz e fogo curtido no gotejar a estremecer os pequenos de diminutos reflexos de uma nuca a se expor contraem; distraem, a mente sedenta por aviso catalogado. chora ao ver teu peito abrir, meu menino. antí-tulo quando tudo é levado pelas névoas, o que resta existe para lembrar inclusive da própria consistência de uma névoa. os órgãos humanos exprimem fisicalidade e talvez seja este o motivo: o toque re-viva quando algo do que morreu nos é precioso a cada encontro vida e morte se cruzam no mesmo compasso? * É artista-psicóloga em formação. Mistura poesia com artes visuais, trabalho que desde 2017 é reconhecido por “giubicidades”.
Texto originalmente publicado em Revista Fina