F.W. Taylor – Princípios da ADM Científica IV

A idéia de tarefa no regime de Administração Científica

[…] Na tarefa é especificado o que deve ser feito e também como fazê-lo, além do tempo exato concebido para a execução. E, quando o trabalhador consegue realizar a tarefa determinada, dentro do tempo limite especificado, recebe ele aumento de 30 a 100% do seu salário habitual. Estas tarefas são cuidadosamente planejadas, de modo que sua execução seja boa e correta, mas que não obrigue o trabalhador a esforço algum que lhe prejudique a saúde. A tarefa é sempre regulada, de sorte que o homem, adaptado a ela, seja capaz de trabalhar durante muitos anos, feliz e próspero, sem sentir os prejuízos da fadiga.

Aplicação do sistema de Administração Científica ao serviço de manejar lingotes de ferro

[…] Nosso dever consistia em providenciar para que as 80.000 toneladas de barras fossem colocadas nos vagões na proporção de 47 toneladas por homem e por dia, em vez de 12 ½, como estavam sendo transportadas anteriormente.E , além disso, era também nossa obrigação cogitar que tal serviço fosse executado sem discussões graves e , de tal modo, que os operários se sentissem tão satisfeitos em carregar 47 toneladas em média como as 12 ½ na forma antiga.

Nossa primeira providência foi a seleção científica do trabalhador. Neste novo sistema de administração é regra inflexível falar e tratar com um trabalhador de cada vez, desde que cada um possui aptidões próprias e contra-indicações especiais, e que não estamos lidando com homens em grupo, mas procurando aumentar individualmente a eficiência e dar a cada um a maior prosperidade. Assim, nosso primeiro cuidado foi procurar o homem adequado para iniciar o trabalho. Cronometramos e estudamos cuidadosamente os 75 carregadores, durante 3 a 4 dias, ao fim dos quais separamos quatro homens que pareciam ser fisicamente capazes de carregar barras de ferro na proporção de 47 toneladas por dia. Foi feito, então, o estudo apurado de cada um destes homens; investigamos seu passado, tanto quanto possível, e fizemos um inquérito completo a respeito do caráter, dos hábitos e ambições de cada um. Finalmente, dos quatro, escolhemos um, como o mais apto para começar. Era um pequeno holandês, vindo da Pensilvânia, que costumava correr à tarde, de volta para casa, situada mais ou menos a uma milha, tão bem-disposto como quando chegava correndo para o trabalho de manhã. Soubemos que com o salário de $1,15 dólar por dia, ele tinha conseguido comprar um pequeno terreno e se empenhava em construir uma casinha própria, trabalhando para isso, de manhã, antes de entrar na fábrica, e à tarde, depois de deixá-la. Tinha também fama de ser seguro, isto é, de dar muito valor ao dinheiro. Uma pessoa, com quem conversamos, disse nos a respeito dele: Um centavo parece-lhe tão grande como uma roda de carroça. Chamaremos esse homem de Schimidt.

[…] Schimidt começou a trabalhar. Durante o dia todo e a intervalos regulares, o homem que o orientava com um relógio na mão lhe dizia: “Agora , levante o lingote e ande. Agora sente-se e descanse. Agora ande, agora descanse” etc. Ele trabalhava e descansava quando mandado  , e ás 5h 30 min da tarde tinha colocado no vagão  47 ½ toneladas. Praticamente nunca falhou, trabalhando nesse ritmo e fazendo a tarefa, que lhe foi determinada, durante os três anos em que estive em Bethlehem. E, por todo este tempo, atingiu média pouco maior de que $ 1,85 dólar por dia, enquanto antes nunca percebera acima de $ 1,15 por dia, que era o salário comum, nesta época, em Bethlehem. Assim, ele recebeu salários 60% mais elevados dos que eram pagos a outros homens que não trabalhavam no sistema da tarefa. Uns após outros foram chamados e treinados para carregar lingotes na proporção de 47 ½ toneladas por dia, até que se transportavam todas as barras de ferro; ganharam então remuneração 60% superior à dos outros trabalhadores da vizinhança.

[…] É simplesmente, questão de bom senso planejar o serviço, de modo que os operários trabalhem realmente quando é hora de trabalhar e descansem, também quando é hora de folga, e não misturem as duas coisas.

Frederick Winslow Taylor