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Nov13
Maria do Rosário Pedreira
Parece que, apesar da crise, os hotéis de Paris não se queixam muito. Mas, como 2013 está a ser um ano não tão bom como os anteriores, houve quem se lembrasse de explorar a ideia dos hotéis literários para atrair novos hóspedes. Assim, o hotel Le Marcel (assim chamado por causa de Proust) anuncia que o espírito do escritor está por todo o lado nas cores e no mobiliário e tem quartos com nomes de algumas personagens da Recherche, entre as quais Swann, Guermantes, Saint-Loup (e, claro, a Madeleine que, molhada no chá, desencadeia as recordações). Nas redondezas, também o hotel Les Plumes presta tributo à literatura com citações de vários autores gravadas no vidro das cabinas do duche; e, no mesmo bairro, outro hotel convida hóspedes para um determinado quarto, afirmando que foi nele que Oscar Wilde passou a última noite. O conceito parece resultar, porque a procura aumentou e já há quem queira dormir especificamente no quarto Kafka ou Shakespeare do Pavillon des Lettres, o primeiro dos estabelecimentos hoteleiros parisienses a apresentar-se como literário. Mesmo assim, a maior parte dos turistas está mais interessada numa boa relação qualidade-preço e muitos dos mais jovens nem sequer ouviram falar de Proust quando escolhem o Le Marcel. De qualquer maneira, ficam a saber.