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Nov13

Maria do Rosário Pedreira

Todos os autores, ou quase todos, gostam de celebrar a publicação dos seus livros num lançamento público, geralmente numa livraria, com a presença de alguém conhecido que fala da obra. Mas nestas coisas não há modelos e nunca se sabe o que pode sair da cartola dos oradores convidados. Já vi de tudo – e o pior foi quando a pessoa que apresentava o livro disse mal dele com o autor ali mesmo ao lado: honesto, talvez, mas não era precisa tanta sinceridade. Também já assisti a lançamentos em que o orador era um escritor muito conhecido e só falou da própria obra – um pouco egocêntrico, diria eu, sobretudo porque parecia mesmo que não tinha lido o romance que vinha apresentar. Quando o apresentador é pessoa famosa, muita gente não vai ao lançamento senão por causa disso, mas, em alguns casos, o escritor sozinho faria melhor. Uma vez, por exemplo, convidei um publicitário muito badalado para apresentar o romance de um autor escocês cuja acção decorria no mundo da publicidade e deve ter sido a apresentação mais rápida da história: o publicitário limitou-se a dizer qualquer coisa como: «Então aqui está x, que escreveu o romance y, a quem vou já passar a palavra.» Pensou que «apresentar» era «fazer as apresentações»… Até tive de ler um excerto para ocupar o tempo. E, por falar em ler excertos, agora já se vai substituindo a apresentação clássica por uma leitura, às vezes feita por um actor, parecendo que assim o livro se apresenta melhor a si próprio. É de certeza mais interessante do que contar a história toda e estragar o prazer aos leitores que assistem à sessão (também já me aconteceu). Enfim, tenho um autor que odeia lançamentos porque diz que não gosta que falem dele. Está, pelo menos, mais protegido destes amargos de boca.