«Sinto um peso ligeiro agarrado ao teto

O candeeiro preso por um pormenor

A data da tristeza levanta-se à vista

Encontro prejuízo em gotas de suor

Perdi o teu sorriso numa estrada mansa

Onde o alcance vago entorpeceu

Depois de tantos anos sinto-me um fracasso

Mas fracassei por ser-te ou por ser meu?

Ainda assim nada me engana mais

Que as mentiras da verdade ré

Soubesse que a malícia fosse militância

Revolucionar-te-ia sem levantar pé

Mas para quê alastrar a devoção

Se no silêncio adoras o que descobri

Mas para quê fazer-te a revolução

Se tu mesma manténs ditadura em ti?

[...]

Enquanto arrasto o rancor adormecido

Desprendo-me dos votos dos consensuais

Partindo numa corrida em que já vencido

Humilho-me nas encostas dos umbrais

[...]

Pois não sou eu 

Quem te acorda da heresia

Quem te conforta a cobardia

Quem te encontra na poesia

De um dito tal que tal cujo cria

Quem te conforta a arrogância

Ou te destaca a importância

Pois dos poetas da nova vaga

Sou quem te deve mas não te paga»