06
Jun12
Maria do Rosário Pedreira
Parece que o poeta romântico Samuel Taylor Coleridge – autor, com Wordsworth, das famosas Lyrical Ballads (1798) – era bastante crítico das ciências, com as quais tinha uma relação tudo menos pacífica. E, porém, conta-se que foi com enorme surpresa que o viram assistir na universidade às aulas de Humphry Davy, um conceituadíssimo professor catedrático de Química. E não só foi estranha para todos a sua presença assídua no anfiteatro, como ninguém queria acreditar quando o viram tomar notas furiosamente, enchendo aproximadamente 60 páginas de um caderno enquanto o professor falava. Alguém mais corajoso terá então ido ter com ele para saber o que fazia ali um homem que, afinal, não parecia apreciar por aí além os cientistas. Mas Coleridge não se deixou abater com a interpelação e explicou que o seu objectivo era, simplesmente, aumentar o número de metáforas na sua obra.