Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Escrevi sobre o livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, aqui. De posse do filme, foi-me impossível vê-lo sem comparar ao romance. E aí veio um pouco de decepção. Minha esposa, que viu o filme comigo e não leu o livro, gostou bastante, mas senti falta de dois dos principais personagens: o sabujo, um cão/aranha/robô que realmente seria quase impossível de emular com eficiência nas telas, e o professor que ajuda Montag a ingressar no mundo proibido dos livros. Além disso, o capitão do filme é completamente diferente daquela fascinante personagem do livro, que é muito mais mordaz e agressivo, que provoca, que atiça Montag, e que é capaz de fazer belíssimos discursos citando a literatura que tanto despreza.

Posso adiantar que a escolha da mesma atriz para interpretar a mocinha e a esposa de Montag é bem interessante, mas que prefiro a solução do livro. Além disso, algumas pequenas mudanças (o livro que Montag é, o momento em que ele começa a ler, os encontros no trem e não caminhando, uma determinada companhia que ele encontra ao final do filme)… tudo isso me desagradou um pouco e atrapalhou deveras a experiência fílmica.

Mas o argumento do filme – e do livro, naturalmente – é por demais forte para se deixar abater por esta ou aquela escolha. O filme é muito contudente e consegue com maestria transmitir a mensagem contra a ignorância e o pensamento pré-fabricado.

Mais uma vez: ainda não sei que livro seria. Se pudesse ser só um conto, não tenho dúvidas de que eu seria um homem ridículo.