24/12/2010 · 1:36 PM

postado por Rafaé

Sentados ali, no meio da rua. Dificilmente imaginariam este fim, praquela noite. De declarações a discussões, tudo ocorreu e os encaminhou até ali. Acompanhados pela garrafa de vinho barato, que manchava lábios e línguas a cada gole. Foram vários goles, pois o ritmo era lento, compartilhado e sincero.

A garoa , vista sob a luz – amarela – do poste.

Molhava.

O molhar era tão confortável quanto o momento.

Companhia cúmplice, na rua, onde deveria estar.

Olhando para o asfalto, já podia ver o contorno do meu corpo. A parte seca demonstrava exatamente a dobra do meu joelho esquerdo. Sobre o tal joelho, a água já encharcava a calça. Ao lado, a cumplicidade. Sempre presente. A garoa não incomodou, pois a rua era nossa. Tudo o que existiu por ali nos pertencia. Inclusive o molhar.

O melhor perfume foi usado. Sem atingir os sentidos desejados, é verdade. Enfim. O estômago tende a trabalhar contra o coração. Sendo assim, chá de boldo deve ser cúmplice dos amantes.

Celular vibra e me chama. É a bateria acabando. A cumplicidade, tão molhada quanto eu, decide se recolher e desvendar as dores de estômago amanhã, quando a rua já não for só nossa.

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