20/12/2010 · 1:32 PM

postado por Rafaé

Sentados ali, sob o pinheiro que tantas vezes os protegeu com sombra, hoje se escondiam da garoa. Não só procuravam se manterem secos, mas intencionavam tocar suas intimidades, suas vidas. Pouco foi compartilhado. Lembranças eram como farpas. Os planos, abortados com um simples olhar de reprovação do outro.

O fracasso daquela cumplicidade foi percebido e admitido. A garrafa d’água caiu das mãos dele, no exato momento em que sentiu o vazio daquela perda. Não esboçou qualquer reação. A água escorreu por completo, penetrando nas frestas entre as pedras da calçada.

Engraçado. Nós dois, tão sem graça.

Não havia mais o que fazer. Em um último lapso de cumplicidade, levantaram e tomaram seus rumos, sob a garoa, mais confortável que companhias distantes…

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