01
Mar13
Maria do Rosário Pedreira
Sabia que era um dos livros favoritos de um dos meus autores, mas ainda não tivera possibilidade de lhe pegar sequer por falta de tempo. E, numa noite destas, para descansar de uns escritos que me estavam a fazer fumar demais, subi ao escadote e fui retirá-lo da estante do Manel (que, de resto, o publicou). Falo de Os Soldados de Salamina, de Javier Cercas, um notável romance sobre um jornalista que, depois de várias tentativas frustradas, desiste da literatura, mas acaba por encontrar um dia um excelente tema para regressar à escrita: a história de Sánchez Mazas, um dos fundadores da Falange – intelectual com vários romances publicados – que escapou a um fuzilamento durante a guerra de Espanha (mostrava os buracos da metralha nas calças) e viveu vários dias escondido num bosque onde um soldado inimigo lhe poupou a vida e várias pessoas do campo o ajudaram a sobreviver. Chegou a ministro de Franco, mas depressa se desinteressou da política (o fascismo que idealizara era bastante diferente do praticado pelo Generalíssimo) e a sua vida merece, de facto, ser conhecida, pois, entre outras coisas, é uma belíssima aventura literária. Cercas, entre o relato e a ficção, é um mestre a narrá-la. Ainda não sei aonde acaba a história, mas já tenho a certeza de que o meu autor tem muito bom gosto.