04

Mar13

Maria do Rosário Pedreira

Quando eu era pequena, chamavam muitas vezes aos teimosos cabeçudos – mas às vezes é bom ser-se teimoso, por exemplo, para fazer com que os nossos jovens leiam sem a desculpa de que os livros não lhes chegam às mãos. Assim pensam Rui Andrade e Raquel Salgueiro, dois cabeçudos que criaram uma livraria itinerante dentro de uma carrinha, inspirados nas velhinhas bibliotecas que a Gulbenkian pôs a andar por esse país fora nos anos 70 e que tantos leitores fizeram em localidades que não tinham como chegar aos livros. A iniciativa chama-se justamente Cabeçudos e esteve na semana passada na Azambuja com a companhia das editoras Planeta Tangerina e Orfeu Negro, que têm títulos belíssimos, incluindo o recentemente premiado Achimpa, de Catarina Sobral. Mas haverá muitas outras paragens noutras datas, com a cumplicidade de escritores, ilustradores, contadores de histórias e outros, em escolas, bibliotecas e outros locais, públicos e privados. O Plano Nacional de Leitura aplaude e apoia. Nós também. A teimosia, nestas coisas, dá sempre bons resultados.