Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Acabei de ler O colar de veludo, o terceiro livro que li de Alexandre Dumas, que já é um de meus autores favoritos. O colar de veludo é um romance curto, 160 páginas apenas, que conta a história de Hoffmann, um jovem poeta, pintor e músico alemão “… cujas faculdades mentais nem sempre estão em equilíbrio perfeito.” A história começa em Mannheim, cidade da Alemanha, onde o nosso personagem acaba se apaixonando pela jovem Antônia, da qual acaba noivo. Infelizmente para o casal, o rapaz planejava já há muito viajar para Paris, a fim de visitar os teatros, os museus, enfim, a arte da cidade luz. Ele acaba viajando, não sem antes prometer a sua noiva que nunca mais tornaria a jogar, além claro de fidelidade eterna. 

Chegando em Paris  Hoffmann cria um estranho fascínio pela bailarina Arsène, a dama do Colar de veludo. Sua paixão é incontrolável, fazendo-o esquecer as promessas e seu amor, assim que tem contato com o desejo carnal. O interessante do romance são as ações do jovem Hoffmann, sendo que não temos muita certeza do que é real, ou o que é fruto da loucura e do devaneio do protagonista; em meio a tudo isso temos uma França revolucionária, onde cada ação, cada movimento pode ser motivo de guilhotina, sendo este elemento (a guilhotina), bastante presente, de um efeito bastante interessante no desenvolvimento do livro.

O livro é muito bom, divertido, sendo um pouco mais descritivo do que O Conde de Monte Cristo e os Três Mosqueteiros, o que de forma alguma atrapalha. Na verdade esse “excesso” de descritivismo ajuda a situar o leitor na época pós-Revolução Francesa pela qual passava Paris. Apesar de o clímax do romance (a última página) ser um tanto previsível, o final chega a emocionar, apesar desse não ser o objetivo principal do livro. A perda dos sentidos diante dos desejos mundanos, seja o jogo ou o prazer encontrado na mulher, a destruição da vida, a falta de controle diante da imoralidade. Esse sim é o tema central do romance. Ótimo livro. Recomendo.