Por José Eduardo Ribeiro Nascimento
Depois de quase sete meses que li a obra, assisti ao filme, de 2002, dirigido por Kevin Reynolds. Como pode-se conferir no post que fiz sobre o livro, eu me apaixonei pela obra e pelo estilo de Dumas, estilo este que acompanhei, também, na leitura de Os três Mosqueteiros (post aqui). Chega de blá, blá, blá, vamos ao que interessa: o filme.
O filme é ruim, e não me agradou nem um pouco. Não apenas por ter resumido e adaptado o enredo de uma forma grotesca, mas por que eles MUDARAM coisas totalmente relevantes da obra. Não é um filme do livro, é um filme baseado no livro. Já do começo reparamos na amizade que Dantès tem com Fernand, amizade esta que não existe no livro. Claro que isso não é muito relevante, já que o resultado final, o desfecho, poderia ser o mesmo do livro.
Mas, quando os minutos foram passando fiquei cada vez mais inquieto, e se não estivesse assistindo com Renata, talvez eu tivesse desligado o computador no meio do filme e saísse para fazer qualquer outra coisa; fiquei, porém, e vi o filme cada vez mais tomar rumos diferentes do livro. No filme A Sociedade do Anel, vemos Gandalf descobrir o anel, bater em retirada, e daqui a pouco ele volta, com uma missão desafiadora para Frodo, dando a impressão de que não se passaram mais do que dois dias. Qual não foi minha surpresa, ao ler o livro, saber que ANOS se passaram com Gandalf fazendo visitas esporádicas para estudar o efeito do Um Anel em Frodo.
Em o Conde de Monte Cristo acontece algo semelhante, mas ao contrário de Senhor dos Anéis, em que esquecer aquele fato do enredo não compromete a degustação do mesmo, eles ignoraram a passagem de tempo. O enredo do filme, o que ele passa, é que Dantès chega de viagem, é acusado, preso, passa alguns anos na prisão, apenas o suficiente para sua barba crescer, conhece o padre, dois anos depois ele escapa, acha o tesouro, fica rico, compra coisas, se vinga, pega sua mulher, e vai viver um casamento, tardio, mas feliz. Na estória real (engraçado falar estória real), Dantès fica preso por longos anos (não tenho muita certeza, assim de memória, mas arriscaria 12 a 14 anos), depois de solto ficou um tempo trabalhando como marinheiro (Luigi Vampa não era um contrabandista comum, era um bandido lendário), e depois de pegar a fortuna na ilha, assumiu outras identidades, como Simbad, o marujo, e Lorde Wilmore, apenas para observar, durante mais alguns anos, seus inimigos, para planejar o seu plano triunfal.
Não é a toa que todas as frases, e as respostas para essas frases, no livro, já eram orquestradas, imaginadas, calculadas por Dantès. O desenrolar da vingança no filme foi ridículo, sem nenhum ponto em especial. Não há acasalamento entre Dantès e Mercedes, nem no começo nem no final do livro. Não preciso nem dizer que o final não tem NADA a ver com o livro.
Finalizo por aqui essa consideração dizendo que o filme não conta a mesma estória do livro. Com o desenrolar da vingança, e o romance entre Mercedes, Dantès, e seu “filho”, Albert (outra coisa: no livro, Mercedes passou dezoito meses de luto por Dantès, ouçamos bem: de luto. Ou seja, ela passou um tempo crendo que Dantès estava vivo, aguardando-o. Depois de oficializada a morte ela passou um tempo de luto, para depois casar com Fernand. Conclusão: Albert não é filho de Dantès), me imaginei assistindo a um capítulo de “vale a pena ver de novo”, claro, se existisse um capítulo bom de novela. É a história de um homem que se vinga, e vive feliz com sua mulher e filho. O livro não é sobre isso. Não, não é.