Os poetas russos trazem sempre algo de novo, por vezes uma visão mais crua e objectiva sobre o universo. Anna ahkmatova, não corresponde exactamente a este perfil e dá-nos um olhar embevecido face às pequenas coisas...
Acordar de madrugada
Pois a alegria sufoca,
E olhar pela vigia
Para as vagas de cor verde,
Ou no convés com mau tempo
Gasalhada em brandas peles,
Ouvir o bater da máquina,
E não pensar em nada,
Mas, pressentindo o encontro
Com esse que se tornou minha estrela,
Pelas gotas salgadas e o vento
Em cada hora rejuvenescer.
in Poemas, com tradução de Joaquim Manuel Magalhães e Vadim Dmitriev.
Edição: Relógio d’Água