HOMEM
Ele respira no ar, respira na erva temporã
respira os caules que se agitam,
todas as canções enquanto ainda se podem escutar,
uma mão quente de mulher sob a cabeça.
Respira, respira - mas não chega.
Respira a mão -
que é única para ele,
respira o seu país -
que é único para ele,
chora, sofre, ti, assobia,
e fica calado à janela, e canta até de madrugada,
e folheia amorosamente a sua curta vida.
Bulat Okudjava
Tradução de Manuel de Seabra
Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
Maiakovski
Tradução de João Bastos

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