23
Fev22
Maria do Rosário Pedreira
Um estudo recente apresentado na semana passada na Fundação Calouste Gulbenkian sobre as Práticas Culturais dos Portugueses, baseado em inquéritos realizados pelo Instituto de Ciências Sociais e financiado pela Fundação, fez-me corar de vergonha e preocupar-me muito com o futuro da nação. Nada de que eu não suspeitasse, é verdade, mas mesmo assim os dados são assustadores: 61% dos Portugueses não leram um único livro em 2020 e 27% leram apenas, num ano inteiro, um a cinco livros. (Em Espanha, por exemplo, as pessoas que não leram um único livro são bastante menos: 38%.) Pois bem, José Machado Pais, o investigador que lidera o estudo com Pedro Magalhães e Miguel Lobo Antunes, confessa o desânimo, explicando que o consumo de livros leva ao consumo de outras formas de cultura, pelo que é fulcral o incentivo à leitura desde tenra idade, em casa, na escola e através dos meio de comunicação. Aliás, a maioria dos leitores confessa que a influência das respectivas famílias foi determinante para o acto de ler.Também lêem menos os que são mais velhos (sem escolaridade, provavelmente) e os mais pobres, que são os que consomem, regra geral, menos cultura em todas as suas formas. Os mais jovens estão demasiado ligados à Internet, há muito mais gente a ver TV do que a ouvir rádio (sobretudo em pandemia), só 28% dos Portugueses frequentam museus e os que ouvem música erudita, vão à ópera ou assistem a espectáculos de dança são 6%. Deus meu, aonde vamos parar? Não chegou o analfabetismo imposto da outra senhora? Vamos ser sempre um país analfabeto, com pessoas como aquela Georgina que vive com o Cristiano Ronaldo e não quer livros em casas porque criam pó? O estudo está publicado e vale a pena perceber os números em causa, mas enquanto não lhe chegarem as mãos, aqui está o link do artigo da CNN. Um susto.