Desventura

Ao meu pai, morto aos meus sete anos.

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Para onde fores pai, para onde fores

Irei também, trilhando as mesmas ruas

[...]

Podre meu pai!

Augusto dos anjos



Por que, meu pai, tão cedo me deixaste

Sozinho, neste mundo tão sombrio?

Um doente, meu pai, tu me tornaste...

Nessa vida que causa-me arrepio.

Não te vi, não vi teu sangue escarlate,

Nem onde te apodrece o corpo frio.

Queria eu! o fôlego aspirar-te...

Morrer por ti! e tu em mim teu filho...

...viver por muitos anos mais. Mas não

Preferiste da vida desprover

De alegria - mi’a mãe e meus irmãos

Queria eu! contigo apodrecer!

De que vale - sem ti - pisar no chão?

Melhor seria o céu! Antes morrer...

Por: Ronan Fernandes

XXII/II/MMXII

04:03 o’clock