"E por que viver se o coração é morto? Se eu
hoje dormisse sobre essa ideia, se eu
pudesse adormecer no
ócio e no tédio, seria isso ainda viver?
Álvares de Azevedo

Adeus, meus sonhos! Adeus, meu amor!

Pra fenecer minh'alma triste chora,

Ora apagou-se-me o fulgor doutrora,

Cobre-me a face, angelical palor.

Adeus, maldito spleen! Adeus, langor!

Uma sombria e fria dor me aflora,

Sem nostalgias, partirei agora,

Entristecido como murcha flor.

Quando jazer entre sepulcros, quedo,

Sentir-me-ei outra vez deveras ledo,

Morrerá a dor atra que a mim domina...

Quando pro inferno me levar Satã,

Não lacrimeis por minha vida vã,

Olvidai esta desgraçada sina!

Renan Caíque