Imagem: corpse bride

Soneto

É ela! é ela!
Álvares de Azevedo


Entre milhares de pequenas cruzes
E pelo vento cálido aquecida
Entre a sombria morte e a doce vida
Pálida e sombria! entre as tristes luzes

Pálida virgem, como morta tida
Deitada macilenta - lá estás -
Viva! No túmulo descrita: JAZ
Cataléptica! amada minha em vida


Eu pego então a pá, inconformado
Rasgo-lhe a tumba no sombrio tablado
Veja-a risonha - tão linda e tão bela!

Outra desgraça: viram-me cavar

“Profanador! Vamos então o matar!”
Vejam! Agora estou mais perto dela!

Ronan Fernandes
XXIX/XI/MMX
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