Ah, tempos sombrios, estes que vivi!

E foram neles que minh'alma foi lapidada

Embora fosse tão triste e amargurada

Os tempos sombrios jamais esqueci.


E tudo passou... No entanto, um dom eu perdi:

Minh'alma não anda mais sempre inspirada

Como fora outrora com sua poesia desolada

E em belo verso melancólico nunca mais escrevi.


Não era isto o que eu queria, oh desgosto e maldição!

Imploro a Álvares de Azevedo que ponha no coração

A antiga beleza que agora estrago numa linha torta.


Dor estranha do que do meu peito se apodera

Seria eu mais feliz se ao menos tivera

Guardado as cinzas de minha poesia morta...