Tardes langorosas
Tardes tristonhas, frias, langorosas,
Sem lume, sem fulgor de girassóis
Sem irisados céus dos arrebóis,
E prenhes de saudades lacrimosas!
Silentes tardes minhas, merencórias,
De atra solidão que me calcina...
Que assim me invade e fere, me domina,
Tornando a minha vida e alma inglórias!
Quisera eu poder vos transformar!
Conter o vosso triste lacrimar,
Tirar o véu das horas tão brumosas...
Ah! Langorosas tardes nebulosas!
Tristes! Ermas! Voraces, desditosas...
Quisera ver o sol beijando o mar.
