14
Set22
Maria do Rosário Pedreira
Quando compro um livro, geralmente é porque gosto do seu autor, porque mo aconselharam ou porque li alguma coisa interessante sobre ele. Longe de mim escolher aquilo que vou ler com base no sexo de quem o escreveu, embora acredite que, por exemplo, uma feminista radical possa, mesmo sem ter a noção disso, ser facilmente tentada por livros de mulheres e chumbar à partida livros de homens. Pensava que a maioria das pessoas agia como eu. Porém, num artigo publicado em Maio no diário britânico The Guardian, a autora de ensaios Mary Ann Sieghart pega numa estatística do Reino Unido para revelar que, afinal, se as leitoras compram 50% de livros de mulheres e 50% de livros de homens, já os leitores masculinos só compram 20% de livros escritos por mulheres, como se achassem que as coitaditas não escrevem senão futilidades e cor-de-rosices. Vai daí, o jornal propõe a vários escritores do sexo masculino que indiquem livros de mulheres que todos os homens devem ler; e é uma alegria, pois alguns deles não passam sem Virginia Woolf (Salman Rushdie adora Mrs Dalloway) ou George Eliot (o vencedor do Booker Howard Jacobson, por exemplo, escolhe A Vida Era assim em Middlemarch). Ian McEwan aconselha curiosamente o romance de uma holandesa que comprei recentemente (Hanna Bervoets: We Had to Remove This Post, fiquem muito atentos a esta pérola), Rob Doyle escolhe Margaret Atwood e Richard Curtis a maravilhosa Elizabeth Strout. Mas as escolhas recaem também sobre Maya Angelou, a belíssima Arundhati Roy, Ali Smith, Harper Lee (sim, a do Não Matem a Cotovia), Colette (um clássico!), Donna Tart, Iris Murdoch e até a Sue Townsend do livro O Diário Secreto de Adrian Mole, que foi um sucesso nos anos 1980. Não barrem os livros pelo sexo. Vivam as escritoras!