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Set22

Maria do Rosário Pedreira

Antes de partir para férias, estive a pensar no que devia levar para ler. Não gosto de ir muito carregada e, portanto, apesar de contar sempre com alternativas, costumo levar um romance mais extenso, e foi o caso. Tinha visto várias pessoas a escrever frases elogiosas a respeito de um determinado livro, ou a referir que o estavam a ler, e achei que, enfim, podia ser uma boa escolha. Chamava-se, ainda por cima, A Breve Vida das Flores, um título bonito, e fora traduzido pela Maria de Fátima Carmo, que conheço como tradutora e por quem poria as mãos no fogo. Também levava dois prémios de vantagem escritos na capa. Mas... a seguir a umas cento e tal páginas muito razoáveis e bem construídas,  mesmo que sem grande rasgo literário, infelizmente a coisa deu para o torto e tornou-se uma xaropada inexplicável. Pode ser defeito meu, e pode ser também deformação profissional, mas a verdade é que me custou muitíssimo acabá-lo e só conseguia pensar no que devia ter sido cortado e não fazia ali falta nenhuma, pelo contrário, tornando o livro uma espécie de investigação criminal sem detective (ou com detectives a mais), género para o qual não estava mesmo preparada... Cheirem-no, que a vida das flores é breve. O meu gosto não é igual ao vosso. Mas eu da próxima vez vou desconfiar e não ceder tão facilmente às opiniões alheias.