13
Set10
Maria do Rosário Pedreira
Miguel Real é o autor que há mais tempo me acompanha, pois, nas minhas mudanças de uma editora para outra, fui perdendo alguns autores pelo caminho – com grande pena minha, evidentemente; não só porque gosto deles como pessoas, mas porque, tendo feito a parte mais difícil em termos profissionais, que foi lançá-los como escritores quando ninguém sabia quem eram, me custou que fossem outros a aproveitar-se do seu sucesso. Miguel Real, porém, encontra-se entre aqueles que ficaram comigo e conta com a minha gratidão eterna. O seu próximo livro – As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia – está quase a sair (julgo que as livrarias o terão no dia 27) e, embora não traia o título e inclua mesmo as memórias da mulher de D. Carlos (fictícias, evidentemente), tem uma descrição do 25 de Abril que é dos capítulos mais fortes e surpreendentes da literatura portuguesa. Intitula-se «Um Rasgão no Tempo» e quem passou pela revolução não pode ficar indiferente (nem deixar de entender com a própria carne) esta descrição-consequência dos factos ocorridos naquele dia, numa espécie de enumeração interminável de altos e baixos entrançados de forma belíssima. Este episódio é, de resto, o ponto partida para a descoberta de um manuscrito com as memórias da rainha – «a francesa», como os Portugueses lhe chamavam – mas pode ser lido de forma independente pela sua intensidade.
