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Jun25

Maria do Rosário Pedreira

Quando trabalhava na Temas e Debates, donde saí em 2005, cheguei a ler o primeiro romance de Hector Abad Faciolince, Somos o Esquecimento Que Seremos, ainda no original, que nem é exactamente um romance, porque conta a história da vida e do assassínio do pai do autor, médico e activista político, em Medellín, na Colômbia. Depois disso, Fernando Trueba fez um filme a partir do livro, que pude ver também há uns anos no cinema São Jorge, em Lisboa, numa sessão de um festival de cinema em que, no fim, o realizar e o autor do livro disseram umas palavras. Agora ocupa-me, do mesmo Hector Abad, Salvo o Meu Coração, Tudo Está Bem, a história de um padre muito culto (sabe de cinema como ninguém) e muito adorado, que é gordo, aprecia muito comer e descobre que, se não lhe arranjarem um coração novo, não tem muito tempo de vida. Também doente cardíaco é, curiosamente, o ex-marido de Teresa, a senhora italiana em casa de quem o padre Córdoba vai ficar a viver até fazer o transplante (se fizer, ainda não sei), enchendo de perguntas e alegrias os filhos do casal. Conta esta história um outro padre, amigo destas duas figuras com problemas de coração e homossexual confesso (atenção, não é um pedófilo, pelo menos até onde li!), que intercala episódios da vida de uma e outra e fala sobretudo de si mesmo. Para já, ainda não chegou aos píncaros do primeiro romance, mas vamos ver aonde vai dar.