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Mai25

Maria do Rosário Pedreira

Quem trabalha com livros ouve muitas vezes as pessoas que gostam de ler invejarem o seu trabalho, como se passássemos os dias exclusivamente a ler coisas boas. Muitas memórias de editores de todo o mundo explicam que não é bem assim, até porque há muitas outras tarefas que realizamos (e quantas delas chatas ou burocráticas...), cursos que somos obrigados a fazer (ai, já enjoei tanta cibersegurança!), leituras que só apetece amachucar e meter no lixo e, claro, se não publicarmos apenas traduções, ainda temos... os autores, que podem ser fáceis e amorosos, indiferentes e pouco empáticos, ou insuportáveis, exigentes e conflituosos. É disto tudo que falam as memórias do meu excelso marido, Manuel Alberto Valente, no livro O Outro Lado dos Livros, que inclui as crónicas que o semanário Expresso publicou ao longo de alguns anos e que agora se reúnem com mais umas coisas num volume independente que a Quetzal deu à estampa e chegou às livrarias na semana passada. O lançamento será segunda-feira próxima, às 18h30, na Livraria da Travessa, e se quiser saber como arranjar um linguado a Paul Auster ou comprar direitos de um romance numa casa de banho de um restaurante, entre muitas outras histórias, este é o livro ideal para quem quer saber o que é a profissão de editor.

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