Num post anterior falei da ideia de um género ser considerado mais frio e racional do que o outro e logo mais apto a certos trabalhos, mas depois lembrei-me que esta ideia dos nervos frágeis das senhoras tem muitas outras variantes. Um clássico: alguém aparece misteriosamente estropiado na rua e a personagem pede para não deixarem as senhoras se aproximarem. E claro que somos nós as primeiras a desmaiar em anfiteatros de medicina quando se dissecam cadáveres: Que flagelo! Se este estereótipo tivesse algum fundo de verdade então, por exemplo, a mortandade durante os conflitos teria sido maior. Quem iria tratar daquele sortido de tripas de fora, carne apodrecida e caras desfeitas? Além disso a maior parte dos dadores de sangue nessa altura eram mulheres: muitos milhares de litros do precioso líquido. E as crises em geral? Há uns tempos li um livro onde a autora conta como a sua avó conseguiu que a vasta prole sobrevivesse com saúde à crise dos anos trinta - e de como fazia refeições usando as carcaças dos frangos. Não subestimem o poder inventivo de uma mulher! Essa ideia de que a pessoa que sai de casa merece todo o reconhecimento e a outra que fica não é um bocado injusta: normalmente os senhores (digamos, alguns) cantam de galo até alguém lhes passar um aspirador para a mãos (mas as mulheres de hoje já não sabem coser uma meia?). Não é como se ambas as partes não fossem essenciais para o bem-estar geral...E se todas tivéssemos um colapso cada vez que vimos sangue a humanidade já se teria extinguido não? Sem falar do motivo mais óbvio: