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Mai22

Maria do Rosário Pedreira

É obra quando um livro, como uma espécie de corredor de fundo, consegue furar por entre outros setecentos e tal livros e cortar a meta com distinção e levar o Prémio LeYa. Foi o que aconteceu, de resto, com As Pessoas Invisíveis, de José Carlos Barros, conhecido também como poeta, mas já finalista deste mesmo prémio há uns anos com Um Amigo para o Inverno, que recomendo vivamente. As Pessoas Invisíveis é um romance admirável que fala de vários tipos de invisibilidade. Mas fala também de jazidas de ouro perdidas em terrenos anónimos, da morte de Sá Carneiro, de uma amizade insuspeita entre um provinciano e um engenheiro alemão, de trabalho escravo em São Tomé, de curandeiros e santinhas, de um homem que anda a apontar tudo num caderninho para Salazar saber e, sobretudo, de alguém que descobre ter vários poderes, entre os quais o de ser invisível, que é também o de desaparecer no melhor da história. O Prémio LeYa, anunciado em Dezembro, vai ser entregue no próximo dia 13, e a apresentação estará a cargo de Rodrigo Guedes de Carvalho numa sessão em que o Presidente da República e o Ministro da Cultura nos honrarão com a sua presença. Apareça!

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