07

Abr20

Maria do Rosário Pedreira

Torna-se cada vez mais difícil escrever para este blog, pois a Cultura parece ter parado, sido suspensa, adiada, cancelada (mesmo que muitos artistas não parem de nos animar no Instagram e no Facebook). No passado, utilizei muitos eventos como temas dos meus posts (festvais literários aos montes, leituras, debates em livrarias, idas de autores a escolas e bibliotecas); porém, o vírus agora ocupa tudo e, quando vemos um telejornal ou ouvimos o noticiário da rádio, parece que realmente não há nada para dizer que não seja sobre o estupor. Mas… não precisamos de andar informados, sobretudo com tanta contra-informação a chegar às nossas caixas de correio virtuais? É cada vez mais importante seleccionarmos os meios de comunicação fidedignos e os profissionais do jornalismo do resto. Ouvi-los, lê-los, vê-los na TV. Mas cuidado: sempre que um artigo nos enche as medidas, a tendência é partilhá-lo a correr nas redes sociais. Ora, sabia que isso é pirataria? Que a generalizada partilha sem regras dos conteúdos informativos põe em causa milhares de postos de trabalho, a credibilidade da própria informação e talvez mesmo a sobrevivência de algumas publicações? Eu, quando partilho aqui as minhas crónicas, faço-o ao final de duas semanas de terem sido publicadas para não prejudicar o jornal nem lhe tirar leitores. Agora, os órgãos de informação juntaram-se e pedem-nos que paremos com as partilhas abusivas de conteúdos jornalísticos. Conto com os Extraordinários para isto?

Hoje vou sugerir a leitura de Crónica de Uma Morte Anunciada, de Gabriel García Márquez. Um pequeno livro sublime. (Ontem esqueci-me completamente da sugestão, desculpem. O que vale é que ninguém deu por isso.)