06

Abr20

Maria do Rosário Pedreira

Li algures que Churchill, quando lhe perguntaram porque gastava dinheiro com a Cultura num momento em que todos os fundos deveriam ser invstidos no esforço de guerra, respondeu: Mas porque fazemos a guerra senão pela Cultura? Foi uma excelente resposta, evidentemente; e, embora os governos raramente atribuam uma fatia essencial do seu orçamento à Cultura (e até há pouco tempo nem ministro tínhamos nesta área em Portugal), a verdade é que, se não fossem os artistas, o período de confinamento que estamos a viver seria mesmo impossível de suportar. Sim, como passaríamos um mês (ou mais) dentro de casa sem livros, filmes, séries, visitas virtuais a museus, música, jogos? Tudo isso é obra de artistas, e é a sua obra que hoje nos ocupa maioritariamente o tempo livre (para quem não está em teletrabalho, o tempo quase todo). Por isso, são de louvar medidas que algumas instituições tomaram para apoiar os artistas que, de um momento para o outro, ficaram sem possibilidade de realizar dinheiro: uma construtora de Braga está a pagar os salários dos actores do teatro daquela cidade, a Câmara de Lisboa abriu uma linha de apoio a artistas que não beneficiavam de qualquer ajuda do município e vai pagar já os contratos celebrados, a Fundação Gulbenkian criou um concurso nacional de apoios de emergência à cultura... Espero que estas iniciativas se alarguem e difundam por todo o País e ao longo destes meses terríveis. Por muito que algumas pessoas achem que viveriam muito bem sem os artistas, esta é a hora para fazerem o teste da verdade.