05

Jan24

Maria do Rosário Pedreira

Li no resumo de notícias que todos os dias é enviado para o meu e-mail que, em 2023, houve uma greve histórica na indústria do cinema nos Estados Unidos e que, por causa dela, muitos dos mais aguardados filmes só chegarão às salas de cinema neste ano de 2024. Lembrei-me então de uma outra greve ligada ao cinema norte-americano, esta de argumentistas, ainda nos anos 1990, que durou meses e preocupou muito os grandes estúdios. Nós aqui acompanhávamos o que se passava no mundo em geral (e, portanto, essa notícia vinha à baila frequentemente nos noticiários) mas, claro, o mesmo não acontecia com a maioria dos norte-americanos, cujos conhecimentos se cingiam frequentemente ao que acontecia no seu bairro, na sua cidade ou, quando muito, no seu Estado. Ora, veio nessa altura a Portugal lançar um livro o historiador Daniel Boorstin, professor universitário e então director da Biblioteca do Congresso. Numa noite em que o levámos aos fados, coube-me fazer conversa com Ruth, a sua simpática mulher, e perguntei-lhe se tinham filhos e se algum era historiador como o pai. Ela respondeu-me que tinham dois rapazes, e o académico interveio para dizer que um deles era argumentista em Hollywood, perguntando eu de imediato se aderira à greve. Daniel Boorstin ficou completamente aparvalhado: mas como é que neste cantinho da Europa se sabia de uma greve de argumentistas em Hollywood? Pois é, os países auto-suficientes raramente se interessam pelo que se passa no resto do mundo... Muito interessante, deste autor, é o livro Os Criadores, sobre as mentes geniais e fundadoras em todas as áreas artísticas, incluindo, claro, a literatura. Se ainda o encontrarem, leiam-no, vale mesmo a pena.