Annie Ernaux, Um Lugar ao Sol, seguido de Uma Mulher, Livros do Brasil, 2022.

Seguindo a tradição, comprar o último livro do ano, este foi o último de 2022, adquirido no final de Dezembro e lido em dois dias.

Foi, para mim, a revelação da autora, Prémio Nobel da Literatura de 2022.

Uma interessante narrativa que, em tom autobiográfico, nos faz um retrato da sociedade francesa de uma época, os anos que se seguiram ao final da 2.ª Guerra Mundial. Um relato que passa pela descrição das dificuldades de uma família e de uma pequena comunidade de província, o trabalho, as formas de vida, as ambições, ou não ambições, a posição da mulher na sociedade, os desejos de ascensão social. Trata-se de uma realidade, sem eufemismos, sem metáforas; é, no fundo, a narrativa de vidas reais, desde os sacrifícios dos pais para que os filhos tenham uma vida diferente, a afirmação da educação, de um curso superior como meio de ascender na escala social, mas também as angústias que isso gera em quem se vê e sente diferente e não enquadrado, estranho agora, quer no meio de onde saiu, quer no meio onde ingressou. Um verdadeiro retrato de uma época e da evolução política, económica e social.

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