Fotografia da minha autoria

«Há uma linha que cruzamos quando construímos relações com os outros»

Gatilhos: Referência a Suicídio, Depressão, Homofobia, Distúrbios Alimentares

O trabalho que Alice Oseman fez com Heartstopper é extraordinário, portanto, de um modo inconsciente, assumi o compromisso de ler tudo da autora. Neste sentido, honestamente, sinto que só a escrita dela é que me fez continuar a descobrir o seu primeiro livro, porque não me consegui relacionar com o enredo.

 isto não é uma história de amor

Solitário é a história de Tori Spring, «perdida entre o cansaço do mundo, a pressão para ser bem sucedida e a compulsão para planear o futuro», que não sabe como voltar a ser feliz. Mas também é a história de Michael, da Becky, do Luca e do Charlie, e de como tudo pode mudar num segundo.

Há um grupo anónimo na escola da protagonista que foi criado com o único propósito de provocar confusões. Na tentativa de descobrir os rostos por trás deste jogo do Solitário, existem peças em Tori que alteram a sua perceção do mundo e a forma como se relaciona com quem a rodeia. Esta premissa deixou-me entusiasmada, mas a concretização não me pareceu a melhor - ou, simplesmente, não resultou comigo.

Deste modo, o livro não entrou nos meus favoritos, embora aborde temas importantes e coloque todos os holofotes em alguém cujo dialeto é a apatia, a solidão, a falta de crença nas pessoas e no futuro. Termos esta perspetiva da vida, creio, faz-nos reconsiderar a maneira como nos posicionamos em determinadas situações. Sobretudo, relembra-nos que não olhamos para as coisas com o mesmo filtro, o que pode transformar-se num exercício de empatia e consciencialização, atendendo a que também não estamos todos cá pelos mesmos motivos, nem nos mantemos à tona pelas mesmas razões.

A sensação de desnorte é constante e é óbvio que as atitudes dos nossos têm sempre influência na pessoa que somos, mas a partir de um certo ponto a narrativa tornou-se repetitiva. Tal como as personagens, parece que começa a andar em círculo. Isso poderia ser interessante, mas fez com que os temas permanecessem só à superfície, quando precisavam de uma abordagem mais aprofundada, talvez, até, mais responsável.

🎧 Música para acompanhar: It's Not, Aimee Mann

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