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Out24
Maria do Rosário Pedreira
Não é muito comum um poeta ganhar o Prémio Pessoa, mas aconteceu há dois anos a João Luís Barreto Guimarães, um cirurgião plástico do Porto com obra extensa, bastante traduzida, que ainda por cima resolveu criar uma cadeira universitária sobre poesia para os candidatos a médicos no Instituto Abel Salazar, quiçá também para os humanizar e dar a perceber que os seres humanos são bem mais do que apenas corpos. Barreto Guimarães acaba de publicar um livro (Claridade), que tem uma capa lindíssima; e, quase simultaneamente à saída deste novo poemário, recebe nada mais nada menos do que o Prémio de Poesia António Ramos Rosa da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu Aberto Todos os Dias, o livro anterior (cuja capa é igualmente belíssima), que evoca o período da pandemia para logo passar a um quotidiano mais positivo e às coisas que finalmente ficaram «abertas todos os dias». Segundo o editor, trata-se de «uma obra marcada pela ironia, mas também pelo sentido da gravidade, pelo pormenor e pelo retrato de conjunto, pela leitura da solidão mas também do amor, da amizade, das coisas de todos os dias.» Eu gostei muito, e agora vou ler o novo, que também já tenho. Se gostam de poesia, façam o mesmo.
