09
Out24
Maria do Rosário Pedreira
Embora alguns editores estejam periodicamente a trazer ao de cima autores portugueses desaparecidos (como Agustina, Jorge de Sena, Fernando Namora, Alves Redol...), num mundo em que «quem não aparece esquece» existem excelentes autores que tendem a ficar esquecidos (eu, por exemplo, acho que o genial Carlos de Oliveira é um desses casos e aconselho a todos a leitura das suas obras). Mas, além da publicação, há outras coisas que ajudam ao «renascimento» dos escritores, e este ano Vergílio Ferreira teve sorte. Na semana passada, durante o festival Em Nome da Terra foi inaugurada em Melo (Gouveia), terra serrana natal do professor, a Casa Vergílio Ferreira - Para Sempre, que, tendo sido a casa dos seus pais, será um novo espaço cultural que celebrará a sua obra e servirá do mesmo modo de lugar literário inspirador para outros autores, que ali poderão fazer residências literárias com uma bela vista. O festival, que vai na sua 3.ª edição, passará doravante por esta casa, onde se fará também anualmente a entrega do Prémio Vergílio Ferreira. O projecto da «Casa Amarela» teve curadoria de Valter Hugo Mãe e conta com muitos objectos oferecidos pelos netos do escritor, como um relógio «napoleónico», segundo leio no site da Rádio Renascença. A casa está cheia de livros, entre os quais seguramente o romance Para Sempre, no qual o protagonista recorda a sua vida durante uma tarde de Agosto numa casa que supostamente foi aquela. Mais um lugar para visitarmos.
