08
Out24
Maria do Rosário Pedreira
Não escondo que amo profundamente a minha mãe centenária e que sempre tivemos uma boa relação, embora isso não nos tenha dispensado de várias discussões porque, sobre muitas coisas, pensamos de maneira diferente. Já a minha irmã foi sempre mais pai e o feitio da nossa mãe também nunca facilitou as coisas. A relação entre mães e filhas é em muitos casos difícil e não faltam filmes e livros a prová-lo, como A Pianista, de Elfried Jelinek, Carta à Minha Filha, de Maya Angelou, ou Beloved, de Toni Morrison, só para referir alguns. Às vezes, mesmo que o amor seja inegável, mãe e filha não conseguem estar juntas e uma briga acaba por separá-las para a vida. Ora, acaba de ser lançado um romance que fala justamente disto, Como Amar Uma Filha, da israelita Hila Blum, livro finalista do Prémio Fémina em França, no qual a protagonista (a mãe que apenas consegue ver os netos de longe porque não fala com a filha há muito) dialoga com as escritoras que a autora confessa gostar de ler: Susan Sontag, Margaret Atwood ou Alice Munro. A coisa promete e a capa é belíssima. Vou espreitar.
