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Out24

Maria do Rosário Pedreira

No início da minha carreira na edição, li muitos livros de divulgação científica e cheguei a traduzir um livro de Carl Sagan que falava da descoberta da área de Broca no cérebro de um Homo sapiens, aquela onde reside a capacidade de associar o pensamento ao discurso, de criar a linguagem. Mas há ainda muito por descobrir em termos do nosso cérebro... No ano em que nasceu Pessoa (1888), um espanhol de 36 anos, Santiago Ramón y Cajal, propôs-se desenhar o sistema nervoso central, célula por célula, em busca do cantinho do cérebro onde se escondiam as ideias dos filósofos, a imaginação científica  e a fantasia literária, mas, claro, logo entendeu que a tarefa era inglória. O primeiro passo para esta missão quixotesca acaba, porém, de ser dado, tendo sido finalmente mapeado o cérebro... da mosca-da-fruta. Não se ria. Trata-se de um insecto com comportamentos quase tão complexos como o ser humano: interpreta canções durante a corte e a cópula; consegue observar, cheirar, ouvir, andar e voar; é capaz de orientar-se em distâncias longas e possui memória de longo prazo. O mapa do cérebro da larva destas moscas tem uma estrutura com 3016 neurónios e 548.000 ligações entre eles. É só preciso multiplicar isto por 100 e temos um cérebro humano adulto. Já não falta tudo para saber onde vão os escritores buscar as suas ideias e histórias... O artigo do El País onde descobri isto pode ser lido aqui:

https://elpais.com/salud-y-bienestar/2024-10-02/el-primer-mapa-de-un-cerebro-adulto-abre-una-nueva-puerta-para-investigar-la-mente.html