05
Nov20
Maria do Rosário Pedreira
Costumo dizer que estou à espera da reforma para poder ler os clássicos que me faltam. Porém, na semana passada li no The Guardian que a pandemia, coisa tão deprimente que não lhe consigo encontrar nada de positivo, tem paradoxalmente contribuído para que os ingleses se estejam a pôr em dia com a leitura dos clássicos. Ao que parece, as vendas de calhamaços como Guerra e Paz, de Tolstoi, Crime e Castigo, de Dostoievsky, ou D. Quixote, de Cervantes, subiram bastante, bem como as de volumes de Obras Completas de autores célebres. Não sei se as pessoas querem de repente valores seguros e têm medo de ficar sem possibilidade de comprar livros; mas é sempre uma boa notícia que os leitores regressem aos clássicos, desde que não seja só para decorar as estantes. Eu por acaso releio um clássico, mas mínimo: trata-se de A Metamorfose, de Franz Kakfa, que vou prefaciar em breve para uma edição dedicada aos estudantes do Secundário. Um clássico cada vez mais actual.