Lendo a segunda das três Marias.
Maria Isabel Barreno será mais conhecida pela sua participação nas Novas Cartas Portuguesas, mas, tal como as outras autoras do livro, tem a sua própria obra. Os Sensos Incomuns estava estupidamente barato na WOOK e comprei-o, no ano passado, por menos de 1€.
Trata-se de um muito curto livro de contos, daqueles a ler facilmente no decorrer de um dia. Aparentemente, em 1993, ano da sua publicação, foi largamente premiado. A meu ver, merecidamente; não sou a melhor pessoa a avaliar contos, dada a sua reduzida dimensão, tudo o que deixam por dizer naquilo que dizem - tenho lido vários livros de contos este ano e cada vez sinto mais essa dificuldade (veja-se tudo o que li em Abril, e a minha leitura seguida de livros de contos, agora, com Lídia Jorge e Maria Isabel Barreno).
O que posso dizer é que gostei, e muito. As amigas terá sido talvez o meu conto preferido - o segundo do livro, pronto para cativar o leitor -, mas muitos outros houve que me prenderam. São contos decididamente humanos.
Manuel nunca tivera, até então, qualquer dúvida sobre a sua sexualidade. Gostava bastante de si próprio, apreciava-se nas suas qualidades, julgava conhecer todos os seus defeitos, arranjava namoradas sem dificuldade, tinha êxito e prazer com elas. E agora chegava aquela confidência, aquela nojenta gota de óleo. Era o que sentia: aquilo era como uma gota de óleo, que insidiosamente se alastraria a toda a sua vida, contaminando-a.
Quero muito ler A Morte da Mãe, obra que vejo belissimamente recomendada como sendo fundamental da autora, e que esteve em tempos igualmente barata na WOOK, mas esgotou... devo trazê-lo da biblioteca em breve. Que mais leram desta autora? O que se recomenda, por aí?
Recomendo, vivamente. Até porque, pelo preço, é imbatível.
4/5
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