"N'augusta solidão dos cemitérios..."

Augusto dos Anjos



Negrejada das asas turbulentas,
Empenhada a sanha dos abutres,
O destino, ave negra da desgraça.
Indeléveis quimeras me impôs...


A incerteza, vida que me afronta
N’augusta solidão dos cemitérios,
Faz minh’alma triste cárcere,
Laje fria de meus sonhos pulcros...


Coração que me rasga atroz
Faz minh’alma recolher-se tristemente,
Oiço apenas sepulcral orquestra mortuária
A quebrar a paz do mausoléu.


Parto agora sem obólos, a deixar
Enegrecido ao meu funerário, torpe existir.
Já que da vida nada tive a acalento meu,
Que a morte alumie meu caminho...





Felix Ribas







Cemitério militar Norte americano, em Colleville-sur-Mer, Normandia, França, onde estão enterrados milhares de soldados americanos mortos na Segunda Guerra Mundial. (Retirado da Wikipedia e editado por Rommel Werneck no PhotoFiltre)