16
Jan24
Maria do Rosário Pedreira
Tenho para mim que a curiosidade é um dos verdadeiros motores do conhecimento. Não falo, claro, de espreitar pela fechadura do vizinho, mas sim de querer saber, de perguntar, de não ficar satisfeito com pouco e ir mais além. Uma das coisas que dizia sempre às minhas turmas quando era professora era justamente isso, que não havia razões para se ter vergonha de fazer perguntas porque ter a resposta é a única maneira de ficar esclarecido e chegar mais longe. Por vezes, também me inquiriam sobre algumas coisas a que não sabia responder (isto geralmente nas aulas de Francês, com nomes difíceis) e eu acabava por dizer aos alunos que não sabia e que por isso iríamos ter de aprender todos juntos a resposta. Não me lembro de ter inventado uma palavra por orgulho, para tapar um buraco ou fingir que sabia, e nunca senti que me caíam os parentes na lama por causa disso. Agora, porém, descubro que essa coisa chamada ChatGPT (sim, esse instrumento da Inteligência Artificial que anda toda a gente a consultar e utilizar) é orgulhoso e, quando não pesca nada sobre determinada matéria, recusa-se a admiti-lo e, em vez de fazer como eu, inventa simplesmente uma resposta em tom convincente, quicá tentando vencer pela retórica a ignorância de quem a interpela. O que vale é que há quem a apanhe na curva, como prova o relato abaixo de um programa de rádio de Nuno Markl, que inventou três provérbios malucos e foi perguntar ao ChatGPT o que queriam dizer e qual era a sua origem. Vale a pena ouvir para verem como estamos mesmo tramados.