15
Jan24
Maria do Rosário Pedreira
Diz-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. Talvez, mas para mim há por vezes um pequenino conjunto de palavras que vale mais do que mil imagens. A verdade é que somos diariamente matraqueados com imagens (em anúncios, em blogues, em videoclips, em fotos e vídeos nas redes sociais e até nas partilhas telefónicas) e de tal maneira nos viciámos nelas que, ao que parece, já poucos de nós conseguem ter paciência ou concentração para ler até ao fim um post ou um e-mail mais longo (lemo-lo, regra geral, na diagonal), mas somos facilmente atraídos pelos ecrãs onde passam imagens. Isto explica o recente sucesso mundial daquilo a que se costuma chamar «novela gráfica» (um romance contado em versão «texto + imagem» a partir de uma ideia original ou baseado num romance existente em versão apenas de texto); e também explica o crescente interesse dos autores de ficção em terem uma versão «ilustrada» dos seus romances, além do e-book e do audiolivro, até porque a adaptação cinematográfica é muito difícil de obter. O género tem, assim, ganho leitores todos os dias e essa circunstância leva ao aparecimento de excelentes artistas nesta área da edição (e cá em Portugal podemos citar, entre outros, o par Filipe Melo-Juan Cavia e a novela gráfica Balada para Sophie, por exemplo). Na lista dos finalistas do Booker Prize também já houve uma novela gráfica (Sabrina), e qualquer dia ainda temos um Nobel da Literatura capaz de escrever e desenhar ao mesmo tempo. Livros com imagens são também prevalecentes nos TOP de vendas e, em França, por exemplo, no ano passado, os dois títulos mais vendidos eram livros de BD com os heróis Astérix e Gaston Lagaffe, escritos ainda por cima por novos escritores que substituem os criadores das personagens, esses mortos e enterrados. Um dia destes ainda me pedem que ponha um boneco para atrair leitores aqui para o blogue...