Em minha opinião o melhor site para se aprender e também para se refletir sobre a norma culta e sobre algumas curiosidades da língua portuguesa. Portanto, para quem já cansou de me pedir essa indicação, mando aí o link:

http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/

O que eu mais gosto no trabalho de Cláudio Moreno é que ele não é apenas um reprodutor de regras, mas alguém que pensa sobre a língua, polemiza, tem opiniões próprias.

Para dar um exemplo: ele defende que a grafia de substantivos que se referem a idiomas deveriam todos ser iniciados com maiúscula – Espanhol, Russo, Japonês – , como modo de marcar a diferença em relação aos adjetivos gentílicos, os quais têm a função de indicar a proveniência de algo/alguém. Acho o argumento sustentável.

Chama-me a atenção o modo como Cláudio Moreno aborda o Novo Acordo Ortográfico, destacando tanto seus aspectos negativos como os positivos, e de um modo que põe em evidência para mim a sua maior virtude como professor e pensador da Gramática: sua capacidade de fazer-nos ver o quanto há de arbitrário e de impreciso nas descrições oficiais, de chamar a atenção para o fato de que a língua – mesmo a da Gramática – é muito mais instável do que em geral se pensa.

Quando me perguntam em sala de aula ou em roda de amigos sobre a hifenização dos substantivos compostos (antes ou depois do Acordo), sempre lembro da resposta de Cláudio Moreno a respeito:

A grande maioria dos compostos (…) é hifenizada por costume, apenas. Não há regra! Isso pode parecer assustador, mas na prática vai funcionando muito bem (principalmente porque ninguém tem segurança para cobrar o certo e o errado).

Essa honestidade em relação à imprecisão do sistema oficial é muito saudável – ela nos ajuda a desconstruir a imagem típica e pra mim abominável  do professor de Português como bedel da língua, o corretor diuturno da fala e da escrita, o guardião da integridade do idioma – essa imagem que concebe o professor como um juiz, não como um especulador, um pesquisador, alguém que indaga e que ensina a indagar, como deve ser, em minha opinião, todo professor.

Além de descrever as regras da Gramática (o que, para mim, é sua função sim), o professor de Português tem de deixar claro para seu meio (e não só para seus alunos) que a língua não é um templo hermético no qual poucos podem entrar – em outras palavras, que a língua não é um “problema dele”. Ela é uma ferramenta; não, ela é bem mais que isso: é constitutiva da natureza humana, uma de nossas marcas mais profundas.

A Gramática – isto é, uma das formas de uso da língua – deve ser descrita pelo professor e assimilada pelos alunos não como objeto monolítico, pronto e acabado, mas como um sistema em constate mutação.

E é isso o que dá a ler, às vezes explícita, às vezes implicitamente, o Professor Cláudio Moreno, com suas descrições  ricas e cuidadosas, as quais constantemente nos ensinam a indagar.