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Jan26

Maria do Rosário Pedreira

Antes de mais, bom ano aos Extraordinários e obrigada aos que vierem aqui hoje. Não prometo recomeçar com o antigo ritmo, em primeiro lugar, porque me recomendam estar sempre a mudar de posição e não passar mais de quinze minutos seguidos sentada; em segundo lugar, porque tenho carradas de coisas em atraso na editora e, regressando ao trabalho na próxima segunda, calculo que não tenha tempo para escrever diariamente, até porque fui consultando o email e só na primeira semana tenho três reuniões marcadas (uma delas é a celebração da maioridade da LeYa, que faz dezoito anos dia 7, calculem!). Mas disse que voltava em Janeiro e quero, por isso, partihar convosco o livro que andei a ler ultimamente para não quebrar esta rotina de anos. Chama-se Montanha, escreveu-o José Luís Peixoto, e fala de cancro com todas as letras (sempre que aparece no livro, a palavra é escrita assim a bold); fala de uma série de doentes oncológicos (homens e mulheres, jovens e não tão jovens) com quem o narrador se reuniu depois de uma proposta do IPO do Porto, juntamente com um médico e uma psicóloga, e daquilo de que conversaram e viveram; e fala da principal personagem do primeiro livro do autor (Morreste-me), o seu pai, perdido para o cancro quando Peixoto era ainda jovem e que agora regressa como memória, com uma voz que o chama às vezes e que quer ser ouvida, lembrada (e é). Subam esta Montanha, se puderem, quais alpinistas, e leiam um romance duro, de vez em quando algo estranho, comovente, perturbador, verdadeiro, ficcional. E digam o que andam a ler, claro, todos precisamos de recomendações. Até um dia destes.